Esquecida na confluência do Guaíba com a Lagoa dos Patos, Itapuã é uma região de rara beleza natural que poucos conhecem.

Itapuã, em tupi-guarani, significa ponta de pedra. O nome faz sentido, pois elas estão por todos os lados. São impressionantes formações graníticas que chegam até a beira d'água, rochas enormes que formam desenhos intrigantes e complexos.

O Farol de Itapuã, que marca o encontro das águas do Guaíba com a Lagoa dos Patos

O Farol de Itapuã, que marca o encontro das águas do Guaíba com a Lagoa dos Patos

Itapuã não fica longe de Porto Alegre. De fato, é tão perto que surpreende encontrarmos tamanho silêncio e paisagens tão desprovidas de gente quando a cidade está tão próxima, quase colada: chega-se em menos de uma hora, por via totalmente asfaltada.   

Por aqui aportaram os açorianos que mais tarde fundariam Porto Alegre. Deixaram-nos a pequena vila, que ainda tem traços de outrora, com sua antiga igrejinha e um bucólico arroio no qual descansam os barcos dos pescadores. Aqui também estiveram os farrapos, que travaram batalhas onde hoje é o Parque Estadual, um paraíso preservado em seu estado primitivo.

Itapuã é onde o Guaíba se faz mais largo; não raro parece um infinito mar doce, pois a outra margem, ao longe, é quase invisível. O por-do-sol é arrebatador, e também o nascer da lua. À noite, podemos ver o brilho da cidade ao norte, mas ao sul, por entre as ilhas e morros do Parque Estadual, proliferam as estrelas e a quietude das plácidas águas que, lá em Rio Grande, encontram o oceano.

Aqui existe, para a surpresa de muitos, uma pequena colônia japonesa que parece esquecida no tempo. Há ainda o antigo Leprosário, uma impressionante cidadela construída nos anos 1930, que preserva invejável patrimônio arquitetônico e funciona até hoje como hospital colônia. A grande atração, porém, é o Parque Estadual de Itapuã, um paraíso de 5.500 hectares de morros, praias, várzeas, dunas e ilhas. Quase tudo o que a imaginação pedir está escondido por aqui. Inclusive, dizem, um tesouro jesuíta que ninguém ainda encontrou.

O Butiá é a plataforma perfeita para a exploração da região. Seja por água ou por terra, há muito o que ver.