A verdade seja dita: não somos cozinheiros.

Nenhum de nós é, já foi, ou teve um dia a intenção de ser um chef de cozinha. Aqui no Butiá somos todos amadores, no amplo sentido da palavra (aquele mais óbvio, o de amar o que se faz). Aprendemos com os muitos chefs de verdade que por aqui passaram: os bons, os maus e os feios. Já tivemos gringo, castelhano, brasileiro, velho, guri, tivemos os que sabiam tudo, os que sabiam nada e os que achavam que sabiam. Com todos aprendemos um pouquinho, até aprendermos a fazer as coisas do nosso jeito. Foi um longo caminho. Ainda o percorremos, todos os dias, semana após semana. Estamos sempre aprendendo. Aprendemos que o prato que vai para a mesa é só a parte visível de uma engrenagem invisível que começa a se mexer muito antes de tu sentar e fazer o teu pedido. É o resultado do trabalho de todo mundo que se envolve com um restaurante. Gente que vive do que planta, pesca, colhe, das vacas que ordenha, do queijo que faz, gente que vive da cerveja que produz, das galinhas que cria. Temos orgulho de conhecer pessoalmente a maioria dos nossos fornecedores e o prazer de comprar diretamente de alguns deles — muitos são nossos vizinhos. Há formas mais fáceis, mais baratas, mais simples e mais rápidas de se conseguir comida, mas optamos por trabalhar assim, por viver assim. Porque cada restaurante no mundo é único, peculiar na sua organização, na forma de atender, na comida que serve. E nunca é só comida, tem todo o resto também: no nosso caso, a grama para cortar, o jardim para ser cuidado, a praia que enche de lixo quando venta forte, a estrada cujos buracos precisamos tapar. Nossos garçons vem todos de Itapuã, são jovens recém egressos da escola. Nossa equipe de cozinha não saiu de um curso de gastronomia, é todo mundo aqui do entorno, aprendemos tudo juntos, trabalhando juntos. Cuidamos dos dejetos, do lixo, da compostagem. Estamos sempre ampliando, construindo, reformando alguma coisa. Nossa comida foi evoluindo ao longo do tempo. Foi ficando mais simples. Aprendemos a dar mais valor para insumos bons, honestos, frescos, ao trabalho duro de todo mundo que nos ajuda a pôr a mesa todo domingo. Não queremos te prometer nada, nenhuma experiência gastronômica, nenhum manjar para os sentidos. Só um bom almoço com insumos frescos e o rio na tua frente. Pode ser o nirvana. Vai saber. ——— Henrique Theo Möller e Desirée Strelau Hastenpflug Möller Proprietários E toda a equipe do Butiá. (Agosto de 2018)

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